11 de maio de 2006

Fogo e Ignorância (2° parte)




Com a criação do Tribunal do Santo Ofício a igreja católica finalmente conseguiu o que queria; a eliminação sistemática de opositores, pessoas de outras religiões, inimigos políticos, ciganos, homossexuais, cientistas e qualquer um que se atrevia a questionar a “santidade” da instituição, tudo isso com o “respaldo” de estar cumprindo a palavra de Deus.

Em 1484, Heinrich Kramer e James Sprenger, dois monges dominicianos elaboraram um livro que seria descrito mais tarde como “o livro mais terrível da história”, denominado "Malleus Maleficarum” ou “Martelo das Bruxas”; nele seria tratado minunciosamente as formas de detectar, interrrogar, julgar e executar os acusados de bruxaria. O livro se tornou um manual para os juizes do tribunal que o seguiam a risca, principalmente os capítulos que se dedicavam às torturas.

No arsenal dos inquisidores existiam cinco tipos de grupos de ferramentas para seu uso, eram eles (seguido de um exemplo cada):

Instrumentos de contenção

Tais instrumentos destinavam-se não propriamente a causar dor e sofrimento (embora esta fosse uma conseqüência secundária muitas vezes inevitável) mas imobilizar os prisioneiros enquanto eram interrogados, ou simplesmente quando permaneciam em suas celas. É claro que a imobilidade constante e forçada podia consistir por si só em uma tortura bastante requintada.

Ex: O Garfo do Herege

Era um colar de ferro cuja frente consistia em uma espécie de espeto duplo, com duas pontas que se encravavam no queixo e sobre o esterno da vítima, profundamente. A forquilha impedia qualquer movimento de cabeça, mas permitia que os condenados falassem em voz quase inaudível, durante as cerimônias de abjuração.

Instrumentos de interrogatório

Eram empregados, de forma geral nos interrogatórios judiciais e inquisitoriais, não se destinando a matar a vítima, que deveria ser mantida viva no interesse da instrução do processo.

Ex: Cadeira de interrogatório

Era uma cadeira de ferro com o assento e o encosto totalmente cobertos de pontas afiadas. A vítima, sempre nua, era amarrada na cadeira, cujas pontas produziam um efeito laceraante e cortes na pele, o tormento podia ser intensificado com sacudidelas e golpes nos braços e no tronco.
Além disso, havia outro modo de tornar este instrumento mais eficiente: como a cadeira era de ferro havia ainda o requinte adicional de aquecê-la a um braseiro até que se transformasse em brasa, sem contar as inflamações decorrentes de tétano pois as cadeiras eram sujas e enferrujadas.

Instrumentos de mutilação

Além de ter um efeito arrasador sobre os culpados, tanto física quanto moralmente, também era considerado um esplêndido método de prevenir a reincidência, visto que o criminoso ficava marcado como tal para o resto da vida, bastando às pessoas de bem lançar-lhe um olhar para estarem prevenidas acerca de seus atos ilícitos no passado. Geralmente, os condenados a ser mutilados recebiam a pena em público, a fim de servir de exemplo para quem quer que seja, por desespero ou inclinação, estivesse tentado a desobedecer à lei.

Ex: Destroçador de Seios

Tratava-se de tenazes com quatro garras convergentes, capazes de transformar em massas disformes os seios de mulheres condenadas por heresias, blasfêmias, adultério, magia branca erótica, homossexualismo, aborto provocado, entre outros delitos. Para tal efeito, às vezes era utilizado apenas um gancho, aquecido ao fogo.

Instrumentos letais de tortura

Embora servissem como instrumentos de interrogatório, podiam ser usados como instrumentos de execução ou provocavam na vítima tais traumas e lesões que acabavam por matá-la horas após sua aplicação. Por isso, só eram geralmente aplicados a condenados à morte, cuja execução deveria seguir-se sem demora; assim, obtinha-se a garantia de que as vítimas, ainda que gravemente feridas, não escapariam à aplicação da justiça.

Ex: Esmagador de cabeças

Instrumento tipicamente medieval, compunha-se de um capacete e de uma barra na qual se colocava o queixo do torturado. Em seguida, por meio de um parafuso, ia-se apertando o capacete, comprimindo a cabeça do indivíduo de encontro à base, no sentido vertical. O resultado era arrasador: primeiro destroçavam-se os alvéolos dentários; depois, as mandíbulas; e finalmente, caso a tortura não cessasse, os olhos saltavam das órbitas e o cérebro vazava pelo crânio fraturado.

Instrumentos de execução

Eram instrumentos dedicados exclusivamente a matar de forma extremamente brutal e lenta os condenados pelo tribunal.

Ex: A Serra

A serra talvez o meio de execução mais cruel, no qual a vítima, suspensa pelos pés, era serrada ao meio, de cima para baixo, a partir de entre as pernas. Esse tipo de execução podia ser levada a cabo com qualquer tipo de serra de lenhador utilizada a quatro mãos e de dentes grandes. A história conta que vários mártires - santos, religiosos, laicos - sofreram esse suplício, talvez pior que a cremação lenta ou a imersão em azeite fervente. Devido á posição invertida, que assegura a oxigenação do cérebro e impede a perda geral de sangue
o condenado não perde a consciência até que a serra alcançava o umbigo, ou, às vezes, até o peito.

Esses foram alguns das mais de cem maneiras vis e cruéis que a igreja inventou para torturar, açoitar, mutilar e executar inúmeras vítimas inocentes (os números de mortos variam entre milhares e milhões, no período em que funcionou essa máquina de extermínio (aproximadamente 1450 à 1750 D.C.).

Em 2004, o Papa João Paulo 2° pediu desculpas publicamente ao mundo pelas atrocidades cometidas pela igreja católica durante a idade média.

Segue abaixo alguns links para consulta de imagens dos instrumentos:

http://www.corkscrew-balloon.com/misc/torture/index.html

1 Comentários:

tata disse...

oi amore..to com saudades d vc..nem t vejo + nu msn..como vc ta??
Q dia vem pra jf???
To cheia d novidades..ve se aparece ta??
To na facul nem tive tempo d ler oq vc postou, mas dps com calma eu vejo..so passei pra dizer q vc faz falta viu??
Bjaum
ps:Ahhhhhh como anda nossa "poupança"?????
hihihihihihihihihi